Semiologia Médica de Animais de CompanhiaMIMV · 3.º ano · 2026/27 · ICBAS – Universidade do Porto
Aulas práticas

Boas práticas para lidar com animais

Trabalhamos e estudamos com a colaboração de seres vivos. Estas regras são obrigatórias em todas as aulas práticas.

Alunas de SMAC em 2021/22 a aprender o exame clínico com os seus próprios animais, numa página internacional do ICBAS

Alunos de SMAC 2021/22 a aprender o exame clínico com os seus próprios animais, em destaque no site de internacionalização do ICBAS.

1. Só participam animais com elevados padrões de bem-estar

Como o bem-estar animal é um objetivo prioritário de aprendizagem nesta unidade curricular, só podem participar cães que cumpram os mais elevados padrões éticos, de cuidado e de bem-estar:

Todos os animais devem estar vacinados, desparasitados e, pelo menos nas primeiras sessões, usar açaime para prevenir conflitos. Os cães que não cumpram estas condições não podem participar. Os tutores assinam um termo de responsabilidadePDF.

Tempos de trabalho

Cada sessão de exame dura no máximo 15–20 minutos, controlados com temporizador. Depois de cada sessão, o animal fica pelo menos 20 minutos livre para passear e descansar. Cada animal participa em, no máximo, três sessões. No fim, deve dar-se um passeio no exterior de pelo menos 20 minutos.

Exame 15–20′Descanso 20′Exame 15–20′Descanso 20′Exame 15–20′Passeio final 20′

2. Aproxime-se com cuidado e observe

Nem todos os alunos conhecem todos os animais, e o animal pode não conhecer o estudante. Qualquer aproximação deve ser cuidadosa, com atenção aos sinais de desconforto (lamber os cantos da boca, corpo tenso, orelhas para trás, cauda entre as pernas, etc.) e à postura corporal.

Posturas do cão que dizem mais do que mil palavras

EstadoSinais
NormalIndica calma e neutralidade; cauda descontraída, para baixo; posição firme.
Alerta / excitaçãoPelo e cauda levantados; orelhas e patas mudam de posição.
Brincadeira ou cumprimentoOrelhas para trás; agachado sobre as patas da frente; cauda levantada e em movimento.
Aproximação / reconhecimentoCabeça, dorso e cauda na horizontal; aproxima-se com calma.
MedoCauda e cabeça baixas; pata levantada; corpo contorcido.
Chamar a atençãoPatas para cima; espreguiça-se de costas; cauda em movimento contínuo.
Aproximação pacíficaLambe; pata levantada; cauda baixa entre as pernas.
Submissão / aversãoCauda baixa; cabeça baixa; tremores em todo o corpo.

3. Modere a voz

Mesmo que não pareça importante, use parte do primeiro contacto para perceber os comportamentos habituais de cada animal. Se precisar de falar, use um tom calmo e descontraído enquanto trabalha com ele, e um tom mais brincalhão nas pausas, para que possa animar-se e gastar a energia acumulada.

4. Calma, calma, calma: recompense a colaboração

Os animais não sabem que estão a «trabalhar» para a sua aprendizagem. Enquanto estão à sua responsabilidade, garanta que nada de mal acontece entre o «seu» animal e o seu grupo. As coisas fazem-se com calma e a colaboração é recompensada.

5. A força é o último recurso

Se o animal não colaborar, pense se gostaria que um estranho o tratasse assim — ou ao seu animal. Pergunte-se sempre:

6. Proibido infligir dor

Agressividade gera medo e agressividade. Nunca caia na tentação de castigar fisicamente um animal infligindo-lhe dor.

7. Não invada o espaço do animal

Não o obrigue a ficar sem possibilidade de fuga. Espere que se aproxime e, sempre que possível, adote uma postura corporal não ameaçadora: baixe-se, de modo a que o cão fique curioso e venha ter consigo.

8. Os erros acontecem: admita-os e peça ajuda

Se um animal mostrar dor, desconforto ou lesões visíveis, informe imediatamente o docente.

9. Aprenda e, sobretudo, divirta-se a aprender com eles

Se alguma técnica está a ser difícil, com certeza o animal vai ajudá-lo a encontrar o caminho certo. Em troca, só lhe pede alguns biscoitos, festas e muito respeito.

Os alunos devem ajudar sempre a manter um ambiente tranquilo, acolhedor e seguro para os animais, respeitando os seus direitos, privacidade e dignidade (passeios regulares, descanso, comida, água, etc.). Qualquer falha no cuidado e bem-estar dos animais — competência transversal fundamental para qualquer futuro veterinário da União Europeia — pode refletir-se na classificação final, com uma penalização até 50% da nota.